quinta-feira, 3 de maio de 2012

Presença Sombria

“Os fatos contados aqui foram relatados por Maria do Carmo Costa, minha avó materna. Segundo ela, os fatos ocorreram entre os anos de 1945 e 1950 em Mimoso do Sul, ES.”


A noite estava quente na pequena cidade de Mimoso do Sul por volta de 1945, em pleno ano do fim da Segunda Guerra Mundial. Por sua vez, Mimoso ia crescendo ainda mais devido ao comércio de café, que se mantia forte. Como costume a época, era muito comum pessoas saírem de suas casa em noites quentes para papearem com seus parentes e amigos, tanto em praças quanto em frente de suas próprias casas.
    
Não muito distante dali, no Distrito de Dona América, minha avó e dentre outros parentes moravam na comunidade do Pastinho, próximo a linha férrea. A convivência na roça, por sua vez, era bem difícil. Mas foi com este sustento que minha avó conseguiu criar minha mãe e os todos os meus tios. Pelo fato de alguns parentes morarem perto, era comum fazerem o percurso a pé ou a cavalo para visitarem meu bisavô. Foi numa dessas visitas que algum estranho e incomum acontecera naquela época.
    
Segundo minha avó, um primo seu fora visitar meu bisavô numa noite de verão a cavalo, sendo que ele adorava sair a noite para cavalgar ou passear a pé pelas estradas. Este primo morava a uns 25 minutos da casa de meu bisavô. No trecho percorrido haviam duas porteiras e trecho dentro de uma mata. O primo de minha avó seguia tranquilo pela estrada. Eram mais ou menos umas 08h30minh da noite. Ao se aproximar da primeira porteira, o cavalo começa a ficar mais agitado e com a respiração ofegante. O cavaleiro não deu atenção ao comportamento do cavalo e segui em frente. Segundo ele a noite naquela hora estava clara. Pois era lua cheira. Então, o caminho era bem visível para ele. 

Ao passar pela primeira porteira, o primo de minha avó começou a estranhar o modo como o cavalo respirava. Como se estivesse perdendo o seu fôlego. Foi então que ele sentiu algo se pondo a montar à traseira do cavalo. Logo ele sentiu um forte arrepio, e sabia que algo de anormal estava acontecendo as suas costas. Sem olhar para traz, seguiu olhando fixamente para frente. Tentando parecer que nada estivesse acontecendo. Porém, o andar do seu cavalo parecia ficar cada vez mais pesado. Como se tivesse uma tonelada sobre seu lombo. Já passara uns 3 minutos e nada daquilo parar. Logo à frente, o primo de minha avó entraria no pequeno trecho dentro da matinha que lá se encontrava. E a coisa começou a piorar. Pois o trecho da estrada que cortava a mata, era mais escuro. Pois a luz da lua não penetrava por completo através as árvores.
O primo de minha avó permanecera sem ação. Apenas olhava para frente e levemente batia com pedaço de bambu o lombo do animal, que a cada passo, diminuía ainda mais o seu ritmo. O corpo do cavaleiro começou a se arrepiar depois que sentira uma forte respiração suspirar sob seu pescoço. Nessa hora, fechara os olhos, e pedira a Deus que, por favor, acabace logo com aquela situação tenebrosa. A tal coisa que montara a traseira do cavalo, repelia sopros frios e quentes às costas do primo de minha avó. E a cada minuto o acontecimento aumentava.
Foi aí então que surgira a sua frente, a segunda e ultima porteira que dava acesso a casa de meu bisavô. Ao passar por ela, o cavalo começou a se aliviar aumentando assim o seu ritmo. Logo primo de minha avó percebera que a coisa que montar no cavalo se refugiou dentre a mata. Mas continuou seguindo em frente sem olhar para traz. Mas tinha certeza que aquilo não estava mais lá. No momento que o cavalo passou a ficar mais leve, uma leve risada fora ouvida por ele entrando e sumindo na mata.
Ao checar a casa, quase às 9h da noite, meu bisavô fora recebê-lo no quintal e logo percebeu que algo havia acontecido com seu sobrinho e no mesmo instante perguntou o que tinha acontecido, pois ele estava muito pálido e gelado. “Ah, tio. Estou muito nervoso. Eu vi uma assombração.” Disse ele. Logo meu bisavô o pusera para dentro de casa.
No dia seguinte, o primo de minha avó disse que aquele fora a pior experiência que já havia passado em sua vida. Ele jamais voltou a andar sozinho a noite. Com medo de que aquilo voltasse. E o cavalo logo após chegar a casa, seguiu em disparada morro a cima, por traz da casa de meu bisavô, e só descera de lá, cinco dias depois.




Thiago Costa Santiliano
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